Feb 21

“Estranho como alguns prazeres mortais ainda me satisfazem…” A água quente da banheira a acalma e relaxa, e ela pousa o copo na borda de mármore. “Foi uma noite atribulada, afinal. Chegar de navio, reencontrar Luciano…” Afunda a cabeça na água, um prazer que aprendeu recentemente, quando assumiu sua nova natureza, deixando pôr um momento seus problemas de lado, pensando somente no seu futuro. Poderia ficar horas nessa posição, imersa tanto na água como em sua mente, já que respirar era um ato que só fazia em presença de humanos, mas essa noite ainda não a deixaria sossegar.

            - Belle, posso entrar?

            - Claro minha linda… A porta está sempre aberta. – Pelo menos dessa vez, a interrupção é bem vinda. Uma menina de não mais de catorze anos entra, estabanada, visivelmente atrapalhada em desfazer suas tranças ruivas. Lembra Isabelle vagamente, mais pela cor e corte de cabelos e a pele extremamente branca, do que realmente por aparência.  Embora esteja falando em francês, a menina não é francesa, tanto por seus traços como por seu modo de ser.  Sentando-se, Isabelle faz um sinal, e a chama para junto de si. A pequena se senta na borda da banheira, deixando-a desembaraçar cuidadosamente seu cabelo.

            - Então… É aqui que iremos morar agora? É bem menor que seu chateau em Nice… - Sua voz soa amuada. Ela não havia gostado nada de viajar durante tanto tempo, presa durante o dia em sua cabina. Sem as brincadeiras e o espaço a que estava acostumada, reclamou quase todo o tempo que durou a travessia entre a Europa e a América.

            “Estou acostumando mal essa menina…” Isabelle sorri. Seus únicos sorrisos atualmente são sempre reservados a essa criança, que recolhera e agora cuida com um amor quase maternal. “Essa menina… que estranho que eu insista em vê-la como criança… Quantos anos ela terá agora? 14, como parece? 20, 30, 100 anos? Ela será eternamente criança… como na noite em que nos encontramos naquele circo…”

 

…Nice, maio de 1950…

            Entre os ruídos e cores do circo, a sombra negra caminha quase destoando da alegria do lugar. É hora da caça, e Isabelle procura a vitima em potencial da noite: um belo acrobata, que observara durante o espetáculo. Os sons pouco a pouco vão diminuindo, as luzes coloridas sendo apagadas, as pessoas voltando para suas casas sorridentes e felizes, e apenas permanecem os artistas, preparando-se para dormir.

            Seguiu sua presa a distancia quase a noite inteira, e esta se aproximando do trailer onde a vitima dorme, cansada e inconsciente da proximidade do perigo, quando ouve gritos e quase é atropelada pôr uma garotinha que sai correndo de dentro da lona principal.

            - Pôr favor… Ajude-me! Eles vão me matar!  Agarrada a sua perna, a menina chora em desespero, seus cachos vermelho sangue caindo sobre o rosto, num contraste brutal que exagera sua palidez. Pálida demais. Um branco que apenas uma raça possui.  “Deus… não pode ser… é só uma criança! Devo estar imaginando…”.

            - Acalme-se pequena… – Isabelle pega a menina no colo, tentando provar para si mesma que era apenas um jogo de luz, mas o que vê a aterroriza, pela primeira vez em mais de dez anos. Não há nenhuma duvida que a menina em seu colo é uma vampira. “Que monstro teria tido tão abominável idéia…” - Conte-me… Quem são ‘eles’? Quem quer te matar?

            A jovem volta seus olhos para a cainita. A expressão é de surpresa, e medo. “Ela sabe que também sou… reconheceu isso…” Seus olhos verdes a fitam, enigmáticos. Olhos adultos, num corpo de menina.

            - Eles… Os outros vampiros… Como eu, e você… Você veio para me matar?  - A voz melódica e angelical de criança que ouvira ate agora se torna estranhamente mais profunda e mais madura.

            Isabelle sorri, e tenta acalmar a menina, rindo-se pôr dentro pôr descobrir que, no fundo, ainda tinha um coração muito mole. Alias, que ainda tinha um coração.

            - E porque eu faria isso? Não tenho nenhum motivo… Pelo contrario…

            - Mas… Meu Senhor… Ele me disse… - a menina parece confusa e atordoada, gaguejando palavras em mau francês -… Que matar outro vampiro é crime… Que se eu tentasse mata-lo ou feri-lo… Que no instante seguinte esse local estaria cheio de outros como ele para me punir… Eu não quero morrer… Estou com medo!

            - Calma… Não sou uma caçadora de prêmios, nem nada parecido… Se você matou alguém ou não, não faz diferença para mim… Conte toda a estória, do começo…

            Coloca a menina sobre uma mureta que cerca o local, gentilmente limpando seu rosto com um lenço, enquanto a ouve falar, repentinamente passando a falar em um espanhol fluente e carregado de sotaque, que não existia a segundos antes.

            - É meu senhor… Ele é um monstro, um animal sem escrúpulo. Não sou a única criança que ele já matou… Depois ele se cansa delas… E elas desaparecem… Acho que deve ter matado elas… Só sobrei eu… Ele disse que gosta de mim, que eu sou a filhinha dele… Que eu o faço rir… Mas tinha medo que se cansasse de mim também… Ele é louco…

            - Deve ser… Para ter Abraçado uma criança, como você… E outras…

            - Não sou tão nova quanto aparento… Estou apenas presa nesse corpo… Sabe… Eu nasci num circo.  Meu pai e minha mãe eram trapezistas.  Era uma vida feliz. Minha irmã acabara de se casar, com um rapaz que estava treinando para ser… Bem… Ele fazia truques… Uma espécie de mágico da época… Eu estava iniciando no numero com ela. Ate aparecer o novo palhaço. Era um homem estranho, só ensaiava a noite, sozinho. Não falava com os outros. Quando soube que o filho que minha mãe esperava nasceu, foi até a nossa tenda, dizendo que tinha algumas coisas de criança, que queria que ficassem com ela… E eu sai…. Eu sai do acampamento… Quando voltei estava muito quieto. E na tenda… Ele estava me esperando e rindo… Tinha sangue e pedaços da minha família para todo os lados… E ele virou para mim… E … E…

            A jovem engole as palavras, chorando baixinho. Seus olhos voltam a brilhar de outra forma, e ela parece novamente uma pequena criança indefesa e assustada.

            - E só agora você o matou… É isso? Onde ele esta?

            - Sim… Está no picadeiro central. – a resposta novamente em seu francês truncado e sem sotaques.

            Pegando a menina no colo, caminha a consolando, até a grande lona no centro do terreno. Um palhaço jaz no chão, com uma estaca fincada em seu peito.

            - Está ali… Eu o matei, e vão me castigar pôr isso… Eu tenho medo…

            Isabelle começa a rir compulsivamente, colocando a menina sobre uma das cadeiras, falando com o corpo a sua frente.

            - Gregory… Eu já devia imaginar que só podia ser você, para espalhar tanto problema e tanta crueldade. Pare de fingir agora… Porque não ensinou a menina, seu Malkaviano nojento?

            O palhaço abre os olhos rindo, e tenta sem sucesso retirar a estaca com uma das mãos. Apavorada, a pequena vampira corre para um poste no lado oposto, subindo pela escada de corda ate o topo da lona.

            - Isabelle… Olha quem fala de crueldade… Ouvi as novidades… Você espalhou pedaços das duas caçadoras de vampiro pôr toda a Franca… Realmente uma obra de arte… Aquelas Belmont mereciam isso… Ajude-me aqui… Essa cadelinha tentou me matar! Realmente, não que eu não esperasse isso dela… Mas ela errou a pontaria!!! Vai ter o que merece…

            - Pôr favor não! Não me machuque mais! - O desespero da menina faz seu sangue ferver. Como não fervia por nada há muito tempo. Por algum motivo, o rosto de seu pai lhe vem à mente. O forte sotaque alemão do criador da garota a incomoda e dói em seu ouvido, a deixando ainda mais irritada, e ela aproxima-se lentamente do palhaço, tirando um pequeno frasco do bolso.

            - Acalme-se pequena… Ele não te ensinou tudo o que devia… Estacas machucam sim, e paralisam, principalmente se você acerta o alvo e atinge o coração petit… Só que não matam. Maaaaas…

            Ela abre o vidrinho, espalhando seu perfume pela roupa colorida do palhaço que a olha sem entender, ate vê-la tirar um isqueiro do bolso.

            - Isabelle, não! Não confie nessa ciga…

            Suas palavras são interrompidas pôr seus gritos, ao ter seu corpo incendiado. Isabelle vira-se, procurando a menina que se esconde sobre a lona.

            -… Já o fogo… Isso o mata. Pode descer agora. Eu cuidarei de você agora minha linda! Você tem um nome, pequena Malkaviana?

            Com uma agilidade surpreendente num corpo tão frágil e pequeno, ela salta do poste, agarrando-se a um dos trapézios. Com duas piruetas, ela salta para o solo, parando a frente de Isabelle.

            - Meu nome sumiu no tempo. Mas pode me chamar como todos me conhecem no circo. Meus amigos me conhecem pôr Gotcha! E meus inimigos… Por Sweet Death…

 

… Santos, janeiro de 1992 …

            - Se não gosta de seu quarto, podemos redecorar…  - Isabelle termina de desembaraçar o cabelo da menina, e a jovem vira-se para ela, brincando com os inúmeros potes e frascos coloridos na borda da banheira.

            - Eu gosto…Mas é… Pequeno. Quando vamos sair e conhecer a cidade???

            Ela reconhece aquele olhar. Já convive a tempo suficiente com Gotcha para saber que ela sente fome.  E isso, partindo dela, significa problemas.

            - Bem…Amanha sairemos, certo?  Não vá esperando uma cidade como aquelas que você conheceu… Mas você vai me jurar que não vai sair do meu lado… Ou então…  - Não precisa completar a ameaça, e a menina concorda com a cabeça.

            - Certo, certo… Sem brincadeiras… Mas assim não vai ter graça nenhuma!  - A jovem vira o resto da espuma de banho na água, enchendo o banheiro de bolhas e espuma para todo o lado, numa bagunça generalizada.

            Antes que Belle possa reagir, ela já está do lado de fora, fazendo algazarra, e ela ainda consegue ouvir Paul xingando a menina. “Ela não tem jeito… o que será que aprontou dessa vez com ele… Às vezes, eu queria ser como ela… A mente perdida na infância eterna, preocupada apenas em divertir-se, em viver intensamente…”

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Feb 21

Opa, obrigada pelos comentários, sempre me deixa feliz quando vejo um!

desculpem a demora em postar, mas o trabalho tá me comendo muito tempo. E eu resolvi seguir o comentário do Kleberson sobre a conjugação de verbos, então eu talvez precise reescrever os primeiros capitulos. Ainda assim, vou postar o que era  proximo capitulo, mas com certeza ele vai sofrer alterações! :-)

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Jan 22

            A chave gira na fechadura. “Ótimo… ele não trocou a chave. Seria desagradável ter de arrombar minha própria casa”.Sondara na portaria assim que chegaram, e a cobertura daquele prédio na orla da praia ainda estava em seu nome, e no nome de Jean Pierre. O cheiro do passado a invade ao caminhar pela sala. “Como o mundo gira. Pensei que jamais veria esse lugar novamente… e esta igual! Exatamente igual a quando o mobiliamos juntos… essa sala… foi onde ele me contou sua verdadeira natureza… e transformou a minha…”. Acaricia o lençol que cobre o encosto do sofá, não se incomodando com a nuvem de poeira que se ergue dele. Anda nostálgica até as grandes portas para a varanda, abrindo-as e observando a noite. Caminha de volta, distante em pensamentos, e desliza os dedos pela madeira empoeirada do balcão do velho bar.

            - Então, você voltou mesmo…

            A voz familiar a assusta. Ela se volta para a varanda, a tempo de ver um jovem surgindo das sombras, com um sorriso nos lábios que diz tudo, menos um ‘bem-vinda’. Assustada, quase tropeça no banquinho do bar, e tenta se refazer. Seu ar mal dissimulado de calma apenas torna mais aparente a surpresa e o desconforto ao ver o homem que sacode a cabeça a sua frente.

            - O que você esta fazendo aqui, Luciano?

            Luciano sorri, e caminha mais alguns passos em direção a antiga amiga, divertindo-se em perceber o temor em seus olhos. Mantém o silencio alguns instantes, e ajeita rapidamente o cabelo, com a calma de quem tem todo o tempo do mundo em seu olhar.

            - Senti seu cheiro de longe. Jamais esqueceria esse cheiro…

            - E o que deseja de mim? – Num gesto quase inconsciente de proteção, ela caminha lentamente para trás, até encostar-se ao balcão do bar, deixando sua fragilidade mais à tona. 

            - Eu??? Estava com saudades. Já faz muito tempo que você não aparece. Pôr onde andou?

            O medo crescente em Isabelle quase trava sua voz. “Esse Gangrel… não esperava revê-lo tão cedo!…” A presença de Luciano, naquele apartamento, é um sinal de perigo iminente. É um sinal de que Jean Pierre pode estar pôr perto.  Luciano e Jean eram grandes amigos, e tinham uma sociedade de negócios, pelo menos durante a época em que ela os conhecera…

            - Pôr muitos lugares…  - Ela olha ao redor, preocupada.  - Mas… E Jean… Está vivo?

            - Você ainda está viva, não está?…  Brincadeira… Ele esta em Zurique resolvendo problemas da empresa… Mas ele não me parecia feliz na ultima vez que me falou de você… Aliás, ele disse que te viu em Paris, e você fugiu dele novamente…

            Isabelle caminha até as portas abertas para a varanda, pensativa, lembrando-se daquela noite em Paris, quando Jean quase a encontrou. “Eu não devia ter fugido dele… devia ter ficado e esclarecido essa situação toda! Afinal… não fiz nada errado… ou fiz?” Ela relembra. Eles discutiram naquele mesmo apartamento, a quase uma eternidade no passado. Cansada dos segredos de seu jovem namorado, decidira dar um basta. “Ou me conta agora toda a verdade sobre você… ou nunca mais me verá! Porque nunca te vejo durante o dia? O que você esconde de mim?”

 

 

… Santos, agosto de 1896…

- Porque você me chamou aqui, Jean? Já não disse? Não quero nada com um homem que não confia em mim! - Isabelle se joga no sofá, visivelmente irritada. Durante três meses não respondera as suplicas e pedidos de Jean para retornar. Só voltara aquela noite porque Luciano lhe jurara que era de suprema importância. Ela estava decidida a descobrir que mistério cercava aqueles belos olhos negros.

            - Eu confio em você Isabelle, mais do que em qualquer outro… Eu… Só tentei lhe poupar… - A sua frente, Jean tenta se explicar. Com um ar triste, que parece aumentar a palidez de sua pele, ele observa Isabelle se servir de uma bebida, e espera que se sente. Ela o olha fixamente. Até mesmo seu terno negro, sempre impecável, parece desalinhado, e ele está sem a costumeira gravata. Isabelle sabe que ele está sofrendo. Parece o mesmo, com o mesmo corte de cabelo curto e impecável, o ar calmo e controlado. Mas seus olhos mostram que algo muito mais profundo se oculta em algum lugar de sua mente.

            - Me poupar do que? Como espera vivermos junto, se todo esse tempo nunca me disse nada de ti? Não confia no meu amor? Pôr pior que seja a verdade… Quero saber! Quero compartilhar seus problemas… Quero saber se realmente me ama…

            Jean caminha ate ela, e segura em seus braços gentilmente.

            - Eu a amo. Amo tanto… Que lhe contarei toda a verdade… Eu não sou o que pareço ser. Estou morto, a mais de 100 anos. Não, não me olhe assim… Por favor, essa é a verdade.  Sou um vampiro…

            Sua primeira reação foi de xingá-lo, estapeá-lo pôr contar uma estória tão ridícula, mas ao ver seu rosto transfigurado, as presas salientes, a pele fria e pálida, caiu gritando sobre o sofá. Mas ele nem a tocou. Esperou pacientemente que se acalmasse, e começou a contar o que era. Somente após três meses, depois de ouvir as suas estórias, depois de conhecer parte de sua vida, é que compreendeu e aceitou a natureza de seu amado. Ele lhe contava seu passado repleto de aventuras, paixão, medo e ação. Ela passava longas horas ouvindo as explicações sobres às linhagens existentes, sobre as verdades e as mentiras sobre eles, seus poderes, as suas fraquezas. Sobre como aquela cobertura havia sido reformada para recebê-lo com conforto e segurança. Então, meses depois, sentada naquele mesmo tapete, enlaçada em seus braços, fez o terrível pedido.

            - Me torne uma de sua raça…

            - Jamais. Não desejo para ninguém essa maldição, principalmente a mulher que eu amo!

 

… Santos, janeiro de 1992…

Ela se volta para o Gangrel, que avalia friamente cada movimento seu.

            - Na França?… Eu… Não o vi… É uma pena… - Sua tentativa frustrada de disfarçar a mentira apenas piora sua situação - Ele… Ainda está com muita raiva de mim? - Inconscientemente, um gesto seu muito conhecido de Luciano a trai. Ela discretamente morde seu lábio inferior, quando precisa controlar suas emoções. Principalmente quando sente medo.

            - Raiva… Não é muito o do gênio de Jean Pierre, você sabe. Mas ele passou três anos indo ao cais todas as noites… - Luciano senta-se no braço da poltrona, sacudindo a cabeça.       - E como ele esta?

            - Bem… Ele vai se mudar daqui… Vai partir para Minas Gerais logo que voltar da Suíça…

            - Mas… Ele deve voltar para o apartamento… É melhor que eu saia, então… - A idéia de perder o apartamento a desagrada. Apesar de tudo, ela gosta do lugar, e da vista. Alem, é claro, das recordações… 

 

… Santos, abril de 1973.

            - Mon coeur, pela ultima vez… Desista dessa loucura… Pôr mim…  - Jean caminha de um lado para o outro na sala, ao lado do bar, ainda tentando persuadir Isabelle da idéia insana de partilhar sua maldição.

            Durante todos esses meses, Jean tentou lhe mostrar o quanto ela estava enganada, e que o preço pela imortalidade era maior do que ela imaginava. Mas ela esta totalmente decidida. Ansiava pelo que para ele era uma maldição.

            - Não… Eu desejo isso… Desejo passar a eternidade a teu lado… Pôr favor, Jean… Faça-o pôr mim…

            Do outro lado da sala, sentado sobre a mesa em frente à varanda, Luciano vê o desenrolar dos fatos. Passara os últimos meses tentando dissuadir seu amigo, mostrando-lhe o erro que cometeria ao tornar aquela jovem uma deles. Agora tinha quase certeza de que Jean se ainda iria se arrepender muito daquela noite. Isabelle com seu jeito meigo e suave havia finalmente vencido. Mas algo, naquela jovem aparentemente pura e apaixonada, o incomodava muito.

            Jean estende sua mão, chamando-a para o seu lado. Desanimado Luciano caminha até a porta, pousando a mão no ombro de seu amigo, ao passar pôr ele.

            - Você esta cometendo um erro. Um grande erro…  - murmura.

            O Gangrel se afasta do casal, parando na porta para observá-los uma vez mais. Jean a toma entre os braços suavemente, encostando a cabeça de Isabelle em seu ombro. Lentamente, sussurra algo em seu ouvido, explicando o que ira fazer. Afasta os cachos vermelhos de seu cabelo, e lentamente desce seus lábios para o pescoço da ofegante jovem. Sacudindo a cabeça, Luciano sai, fechando sem barulho a porta atrás de si.

- Nunca se esqueça, ma belle… Que foi você que pediu…

 

… Santos, janeiro de 1992…

 

            - Mas eu vou contar a ele que você esta no Brasil… - As palavras de Luciano ecoam na sua mente, com a mesma inflexão que ele usara ao sair daquela sala, há tantos anos atrás. E novamente são como um balde de água gelada. Ela salta de suas recordações. Afastando o resto de seu fingimento, derruba a mascara de confiança que tenta manter, e levanta-se, apavorada.

- Pôr favor! Não faça isso!

- Porque eu não faria isso?

- Porque eu estou pedindo… Pôr favor, não diga a ele que voltei…

- Eu… Vou pensar. Mademoiselle… – Com um aceno, frisa bem a ultima palavra, carregada em seu sotaque paulista, num ultimo toque de ironia. Caminha em direção a janela silencioso e tranqüilo como chegou. Isabelle mau nota o momento exato em que ele começou a mudar, e quando percebe, ele é apenas um morcego voando.

            Ela se deixa cair novamente no sofá. “Ele vai falar… sei que vai… Não é seguro permanecer aqui. Devo partir assim que possível”.Isabelle observa a noite santista, pela mesma varanda pôr onde o vampiro acaba de sair.

Permaneceria parada lá por muito tempo, se não fosse novamente trazida à realidade, dessa vez por seu impressionado serviçal.

            - Quem era?! Não sabia que vocês podiam se transformar em animais! Você me disse que vampiros virando morcegos era uma lenda!  - Paul observa a varanda, abismado, procurando na escuridão por monstros inexistentes. “Há quanto tempo ele estava me espionando? O que ele ouviu?”

            - E não podemos… Pelo menos, não todos nós. Mas eles… Eu já lhe expliquei que existem diversas linhagens… Como as diversas raças entre os humanos… O clã Gangrel é que domina esse dom…Nós, Ventrue, não.

            - É…Inacreditável… E qual seu dom especial… Deve ter um, não? Ou mais de um?

            Isabel olha diretamente nos olhos azuis de Paul, e a resposta é veemente, com um tom estranhamente frio e uma entonação que ele já escutou tantas vezes.

            - Achei que já tivesse percebido… AJOELHE-SE…

            Por mais que lute, sua mente não consegue quebrar a força daquela voz, e revoltado, se vê aos pés de sua senhora.

            - a mente humana, sempre tão fácil de dominar… Algo muito útil, como pode ver… Alias… HÁ QUANTO TEMPO ESTA OUVINDO MINHA CONVERSA? O QUE OUVIU? – Novamente, a mesma entonação. A mesma ordem irrecusável forçando-o a falar.

            - Eu… Desde o inicio… Mas não entendo essa língua nativa daqui o suficiente… Ouvi vocês falarem Jean Pierre… - Paul amarga sua revolta em ser um peão nas mãos daquela mulher, quase sem conseguir engolir para si mesmo sua raiva, como de costume. A curiosidade de entender mais sobre esses seres com que convive é mais forte que seu autocontrole, e deixa escapar a sua duvida. Com certeza, aquele vampiro, que ela chamou de Luciano, não era a pessoa que estava a deixando tão nervosa. Ela disse que era um Gangrel. Quem quer que a apavore tanto, deve ser um Ventrue, talvez, o responsável pela sua transformação. E, talvez, se ele agir direito, uma chance de fuga. -… É seu criador?

            - Sim, é… Num certo período de minha vida como vampira, mais ou menos um ano após ter sido Abraçada, me arrependi… Um ano sem a luz do sol… Um ano terrível… Passei a odiar minha situação… E o acusei de ser culpado. Por isso fugi daqui, para tentar viver como uma mortal comum, na Inglaterra… A partir dai…Você já sabe o resto… Realmente, não sei porque estou falando tudo isso… Talvez eu tenha mais necessidade de desabafar do que esperava… Preciso rever Galladryel…

            Arranca com um puxão vigoroso o lençol que cobria o sofá, fazendo seu servo tossir incontrolavelmente por causa da nuvem de pó que não a afeta, e se larga de costas no sofá.

            - Pode se levantar agora. Veja se ainda existe alguma bebida em condições no bar…

            Frustrado pôr ter sido tão facilmente dominado, o jovem resigna-se a caminhar calado até o bar. Procurando entre teias de aranha e poeira, revirando alguns velhos vasilhames.

            - Tem um Bourbon. E um vinho tinto que talvez -

            - Bourbon. E sirva duplo…

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Jan 22

uhn..acho que não pegou mesmo… vou colocar mais um capitulo, mas se não pegar, paciencia e eu desisto.

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Jan 19

puxa, nenhum comentário…eu queria saber se as pessoas estão curtindo, se vale a pena prosseguir ou se não…:-(

pelo menos parece que varias pessoas leram.  vou esperar mais uns dias pra postar mais uns trechos.

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Jan 15

… Porto de Santos, janeiro de 1992…

            Do meio da alegria que ecoa do salão do navio que desliza suavemente, já bem perto do seu porto de chegada, uma silhueta nas sombras caminha lentamente em direção ao convés. Distante dos risos da festa que o navio oferece aos passageiros, a jovem senta-se na amurada, onde lança um olhar distante às luzes da cidade brilhando. Sãos os prédios da orla da praia de Santos, de onde um dia partiu jurando jamais regressar.

             - A vida é engraçada… Se existe um deus, ele deve estar rindo muito de mim hoje…

            Olha o mar escuro, tão escuro como seus olhos, tão escuro como sua alma. “Faz mais de dez anos que parti… daqui mesmo… do mesmo porto… mas parece que foi ontem. Eu era mais imatura, mais sonhadora, mais… cheia de esperança…”.

            O ruído da festa a incomoda. O som das risadas, a alegria contagiante apenas a torna mais reflexiva, mais irada. Um jovem casal passa, quase sem notá-la, entretidos com suas caricias e jogos amorosos. “Eu já fui assim…” pensa, enquanto os segue com facilidade até o camarote.

            Das trevas onde os observa sem ser vista, ouve as juras de amor, as promessas de fidelidade eterna, seus planos de um futuro de felicidade. “Um futuro que não terão…” ela vacila, e num raro momento de compaixão, se afasta, retornando para a coberta.

            Afasta os cachos de seu cabelo que caem em seu rosto, deixando a brisa marinha beijar sua face. De olhos fechados, recorda sua juventude, sua família, seus amigos, seu coração. “Eu já me senti como eles, eu me lembro…” Na sua mente, as imagens se formam, como se tivesse acontecido ontem, não há quase cem anos. O salão de baile lotado, em sua festa de dezoito anos. Seu pai era embaixador da França no Brasil, estava há apenas dois anos em Santos. Ele lhe apresentou um jovem parisiense, recém chegado à cidade. “Receba-o bem! É um nosso compatriota! Sua família é muito proeminente, em nossa pátria, ele disse… Ah papai… se soubesses…” E com ele dançou a noite toda, e tornaram a se encontrar muitas vezes depois disso. O único amor de sua juventude, um amor igual ao que o casal jura na cabina. “Jean… porque…”.

            Passos suaves atrás de si, que qualquer um deixaria passar quase despercebidos, não são silenciosos o suficiente para ela, que sai de suas recordações um tanto irritada.

            - O que deseja Paul? - Nem precisa se virar, para saber que quem se aproxima é seu serviçal, Paul Rowen. Conhece bem seu modo de caminhar. 

            - Somente conversar… Isabelle, eu achei ter visto um vislumbre de bondade em você hoje, que me surpreendeu. Você realmente poupou os jovens… Porque?

            - Porque? Porque pergunto eu… Porque eu deveria lhe dar explicações? - volta-se, enfastiada pela impertinência do jovem, odiando seu forte sotaque britânico, mesmo enquanto conversam em francês. Uma pronuncia carregada, quase que proposital para incomodá-la. A sua leve irritação se torna raiva, ao ver o sarcasmo nos olhos de seu criado. 

            O rapaz apenas sorri. Alto e forte, a palidez da pele acentuados pêlos cabelos escuros e escorridos.  Seu porte elegante e discreto, e sua atitude sempre calma e desprovida de emoções fortes demonstram por si só sua procedência inglesa. Um gentleman, de postura elegante e de maneiras discretas e finas, que revela seu sangue nobre, tornando quase estranho o fato dele ser o criado, não a jovem agitada com quem conversa respeitoso e submisso. “Belo como um anjo…”, Isabelle pensa, enquanto tenta recuperar o controle perdido.

- Calma… Não tinha intenção de irritá-la, milady. Somente estranhei o fato de não ter atacado o casal…  - Seus olhos, de um azul estranho, um tom quase cinza, contradizem seus lábios. O sorriso cínico e debochado parece provocar ainda mais, e mostra que Paul chega a se divertir ao ver Isabelle angustiada.

- Não o fiz pôr enquanto… Estão em dois… Prefiro esperar o melhor momento…  – Murmura a resposta mais para si mesma do que uma explicação para ele, e volta a fixar a sua vista nas luzes cada vez mais próxima. 

            - Quanto mais nos aproximamos… Mais tensa a senhorita fica… Mais agitada… Ousaria dizer sentimental… Se eu soubesse que ainda tens sentimentos…  - Ele se encolhe ligeiramente, esperando uma reação irada, característica de sua senhora, mas, imersa em recordações, ela prossegue quase como se ele não estivesse ali. 

             - Eu tenho sentimentos… Essa cidade me faz recordar um tempo que eu tento esquecer, que me fez retornar a França. Aqui, vivi minha maior alegria e minha maior maldição…  - Seus olhos azuis fitam o vazio. Paul estranha sua vontade de falar. Afinal, por todos os anos desde que a conheceu, ela pouco falou de seu passado. Mesmo depois que ele descobriu toda a verdade. Ou pelo menos a parte da verdade que Isabelle deixou que soubesse.

            Ele a sonda cautelosamente, aproveitando o máximo o súbito interesse de Isabelle em recordar o passado, arriscando-se nas perguntas, ansioso por saber mais desse estranho mundo, em que agora estava enfiado até o pescoço, literalmente.

- Pôr isso você teme esse lugar? Tem medo de encontrar quem a transformou no que é hoje? De quem a tornou em uma… Uma…

-… Uma vampira? - Ela se volta, olhando fixamente para o jovem, ainda distante, mas tão arrogante e superior como sempre - Não… Diferente do que aconteceu com você… Eu pedi. E acredite…  Entre o que você é e o que eu sou…  Há muita diferença… - Sorri, um sorriso frio e assustador, que faz o sangue de Paul gelar. - Eu cheguei a implorar para ser imortal, para ser eternamente jovem… - Ela volta a caminhar pela amurada, imersa novamente em seus próprios pensamentos.

            - Faz quantos anos, desde que você se tornou a MINHA maior maldição? Cinqüenta? Sessenta anos? Nunca me falou nada sobre ter estado no Brasil, ou mesmo sobre seu Criador…  - Ele retrocede, esperando agora o conhecido ataque de ira de sua mestra. 

            - Maldição?Acha isso uma maldição? Você não morrerá. Permanecerá jovem… Enquanto estiver ao meu lado. Enquanto me obedecer cegamente. E pode voltar a ser um humano mortal… Não é um de nós, ainda.  É um mero escravo.  Eu poderia te libertar no momento em que quisesse. Mas já eu… Eu não tenho essa chance. Já estou morta.

            - Mas nunca permitirá isso, não é? Nunca me libertará de minha escravidão… Piedade é uma palavra que você riscou de seu dicionário… - Morde seus lábios, tentando controlar as emoções que escapam momentaneamente de seu controle, sabendo que está totalmente nas mãos da jovem de olhar gelado. 

            Ela se volta, e observa sorridente sua expressão irada, tentando lembrar o que chegou a sentir pôr Paul um dia. “Nada. Nunca senti nada pôr ele. Não adianta mentir para minha consciência, agora que estou preste a confrontar meu passado…”.

 

… Londres, dezembro de 1934…

            - Piedade! - Sem mais força para gritar, a jovem trêmula à frente de Isabelle apenas murmura, abraçada à mãe. 

            - Porque eu deveria ter piedade? Vocês duas não disseram que eu sou um monstro? Incapaz de sentir, de amar? Pois estavam certas…

Os olhos da vampira brilham de ódio e de uma estranha felicidade, agora que as duas mulheres estão totalmente a sua mercê. Perseguira as duas pôr toda a Europa, e agora, tão perto do fim, delicia-se com o terror de seus rostos. Paul olha a cena, imóvel. Sem poder mover um músculo sem sua ordem, condenado por ela a assistir a tudo. Totalmente dominado, pode apenas implorar por suas vidas.

- Deixe-as ir, Isabelle… Você já tornou suas vidas um inferno, complete sua vingança em mim… Se um dia realmente me amou… Deixe-as ir…

            Uma lagrima vermelha rola pela sua face, e pôr um instante ela quase cede. Mas a lembrança de ser trocada, e por uma reles mortal, é mais forte.

            Quando fugiu de Santos, correndo de seu passado, vagueou pela Europa por alguns anos, querendo provar a si mesma que ainda não era tarde demais para ela, que poderia viver como qualquer humano, que não era um monstro. Passando por Londres, conheceu Paul, e a jovem que agora tem a seus pés, Lisa Belmont. 

            A menina era uma proeminente pintora, um talento nato, rosto angelical. Com ela dividia as esperanças, os sonhos. Pintavam para a mesma galeria, mas os quadros de Lisa sempre superavam os seus em serenidade e leveza. Por um conselho dela, passara a estudar musica, e descobriu que essa era sua verdadeira arte. Lisa era sua melhor amiga, e Paul, seu amante. Durante algum tempo, fechou os olhos para a verdade, tentando se enganar, mantendo as aparências, escondendo sua real condição. Inventando motivos para só aparecer na noite e para sua palidez, mantinha sua vida humana.

            Mas suas atitudes estranhas atraíram a suspeita da mãe de Lisa. O que ela não podia imaginar é que a mãe da menina era uma Caçadora. Perseguia criaturas da noite como ela. Juntas, mãe e filha descobriram seu terrível segredo. E destruíram sua felicidade. Paul, sabendo da verdade, recusou seu amor, fugindo com a jovem pintora. E agora era a hora da vingança.

- Tem razão… Eu nunca te amei. Vampiros não têm coração…

Ela avança, com sede de sangue nos olhos, liberando todo seu ódio guardado, abandonando finalmente de vez toda sua falsa humanidade nas duas mulheres. Ela se demora, prolongando o sofrimento em meio a uma carnificina que nunca imaginou ser capaz de fazer, saboreando o desespero de Paul. Saciada, ela se volta para o horrorizado inglês, com sangue das suas vitimas ainda escorrendo pelas presas e tingindo suas roupas. Uma idéia rápida percorre sua mente, o pior castigo para ele. Não a morte, mas a vida… Escravizada.

- Mate-me logo! Deixe-me em paz! Você já se divertiu o bastante!

Caminha ate o rapaz, até agora paralisado, seu corpo e sua mente obedientes a sua ordem. Com um sorriso irônico, ela nem sequer tenta morde-lo, mas abre um pequeno corte em seu próprio pulso…

 

… Porto de Santos, janeiro de 1992…

- Piedade… Eu confiava em Lisa… Confiava em você! Mas você preferia viver sua vidinha medíocre com ela! Preferiu uma reles mortal a mim. E me traíram. Mas isso é passado…

O carniçal se afasta, escondendo a fúria em seu coração pôr não conseguir reagir, nem acabar sua maldição. Caminha a passos pesados, o peso que carrega na alma por saber que é apenas um escravo dela. Isabelle o observa caminhando, pensativa “Mas minha vida pode depender dele, se ele souber um pouco mais sobre isso. Sorte a minha que não percebeu isso ainda”.

A jovem recém casada sai da cabina. Um sorriso estampado no rosto, uma aura de alegria que ilumina o convés apagado. A alegria de quem inicia uma nova vida. Passa pôr Isabelle, e a cumprimenta. “Agora…”. Sob os olhos horrorizados de Paul, ela se aproxima da jovem, num movimento rápido e sutil guiado pela pratica que finalmente atingiu.  No instante seguinte, já esta com suas presas cravadas no pescoço rosado da jovem. Após se saciar, simplesmente a atira da amurada, e aprecia a imagem de seu corpo afundando sem ruído.

Paul corre até sua senhora, tentando conter a indignação.

- Porque a matou? Você não precisava ter feito isso! Já estava satisfeita, podia tê-la deixado ir, como já fez tantas vezes!

            - Pôr um motivo bem simples, Paul… Foi um aviso para você. Nunca me desafie…

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Jan 15

    Antes de qualquer coisa, quero pedir aos mais puritanos defensores de regras de RPG que não me crucifiquem ao ler. Eu apenas baseei meu livro em Vampiro, nem todas as regras foram seguidas, afinal, isso é um romance.

E para os literatos de plantão, eu sei que o livro peca pelo excesso de diálogos e pouca descrição, mas foi a forma que eu encontrei de me manter fiel ao jogo e ao estilo dos internautas que participaram dele.

Para tornar o texto mais semelhante ao que realmente se passava na sala de RPG 1, 2 e 3 da Uol, resolvi manter a forma de escrever usada na sala, suas gírias próprias e muitos trechos inteiros de diálogos retirados da net.

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Jan 15

Bem,

Há muito muito tempo atrás, numa galaxia muito muito distante, eu comecei a escrever alguns textos com as aventuras de minhas personagens de RPG, ainda na época em que eu frequentava as salas de Chat de RPG da UOL.

O texto ficou legal, e foi crescendo, eu fui melhorando e reescrevendo, e vários amigos meus já me pediram para que eu o transformasse num livro. Mas como eu precisaria de autorização da White Wolf para lança-lo, eu acabei arquivando a ideia.

Com o fim do Mundo das Trevas, as chances de conseguir essa autorização diminuem ainda mais, mas eu ainda assim gostaria de prosseguir o projeto. Então veio a ideia de transformá-lo numa “blognovela”.

No momento, vou manter postagens de novos capitulos a cada 15 dias. Espero que gostem e comentem com suas opiniões!

Garras da Lua

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