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Mestrar para iniciantes: Existe uma fórmula mágica?

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Muita gente me procura para perguntar o que deve fazer para mestrar para iniciantes, completamente leigos com relação a RPG. Que jogo usar? Que sistema? Que cenário? Quais as estratégias que devemos traçar, e os cuidados que devemos tomar, para que os iniciantes gostem do jogo e voltem mais vezes? O que devemos fazer para que eles entendam as diferenças que existem entre os videogames de RPG e o RPG "de mesa"?

 

A minha resposta, infelizmente, não é uma fórmula mágica. Tudo depende… A única regra é: não tente forçar uma pessoa que não está a fim a jogar RPG. Ela não vai gostar, isso pode comprometer sua relação pessoal com ela, e ela pode vir a se tornar um ativista contra o RPG. Só tente mestrar para pessoas que demonstrarem curiosidade e interesse.

Uma vez tendo certeza que a pessoa tem interesse no jogo, é hora de definir o que mestrar. Nesse momento, a maioria procura um sistema de fácil compreensão, com regras simples, e ignora o cenário, como se o mesmo fosse algo secundário no jogo. É aí que existe a maior possibilidade de erro. Esqueça um pouco o sistema e se apegue ao cenário. A pessoa não conhece sistema nenhum, por isso tanto faz. Mas a pessoa tem gostos, preferências e vontades. O que ela gostaria de jogar? Dentro dos cenários que você conhece, qual o que melhor combina com essa pessoa?

Esse é o passo mais difícil, porém o mais importante na hora de definir o que mestrar para o iniciante. Se ele não gostar do cenário, não vai gostar do jogo. Portanto, preste bastante atenção no futuro jogador, converse com ele sobre o que ela gosta e o que não gosta, e pergunte quais são as suas expectativas com relação ao jogo.

Provavelmente o único contato que um iniciante teve com RPG são os jogos eletrônicos. Já explique de antemão que o RPG de mesa é mais focado na história, que os personagens tem muito mais controle e capacidade de mudar o que acontece em sua volta, e que o jogo é mais parecido com um episódio de anime / seriado / filme / ... (insira aqui alguma coisa que o futuro jogador goste para que ele possa usar como exemplo para a interpretação do personagem) e que será necessário tomar muito mais decisões sobre o que fazer. Evite denegrir os jogos eletrônicos, a pessoa pode se sentir ofendida. É melhor dizer "é bem parecido com um RPG de videogame, mas aqui você vai dar mais atenção ao que o personagem pensa, sente, aos seus desejos, terá mais opções de escolha e não caminhos obrigatórios" do que dizer "Esqueça o RPG eletrônico, lá você só pensa em bater e subir de nível, e esse não é o objetivo aqui". Perceba que para muitos grupos o objetivo do RPG "de mesa" é subir de nível sim, mas no geral boas mesas equilibram esse desejo com boas interpretações e cenas memoráveis. Não há nenhum tipo de tabu ou impedimento moral em desejar tornar o seu personagem mais forte. Pelo contrário, esse desejo por poder é uma característica da raça humana, e transportar isso para o jogo é mais do que natural.

Outra coisa que você deve deixar claro para o futuro jogador é o caráter colaborativo do RPG. Diferente da maioria dos jogos, no RPG os personagens agem em grupo com um objetivo em comum. Assim, oriente o futuro jogador a colaborar com os outros, visando um jogo divertido para todos. Com essa orientação prévia, ele evitará personagens incapazes de se socializar e agir em grupo. Isso evita um bocado de problemas futuros e já coloca a pessoa dentro do clima do jogo. Enfatize o conceito de grupo. Se necessário, se estenda na explicação, mostrando exemplos de personagens aparentemente ranzinzas e individualistas que são totalmente capazes de agir em grupo.

Pronto, problemas futuros de adaptação ao cenário evitados. E agora? Dar ao novo jogador um personagem pronto ou deixar que ele crie o seu? Se você tiver tempo, explique o cenário (o que não será difícil uma vez que você escolheu um cenário que o jogador vai se interessar) e ajude ele a criar um personagem. Faça a ficha por ele. Não é hora de apavorar o novato com regras e mais regras. Mas explique o básico da ficha, para que o jogador saiba, se não usá-la, pelo menos ter uma boa ideia do que o seu personagem é ou não capaz de fazer. Se não houver tempo, entregue a ele um personagem pronto, explicando o básico.

Caso não tenha ficado claro até agora, não se preocupe com o sistema. Existem sistemas mais ou menos complicados, mas todos os sistemas são compreensíveis para qualquer pessoa com capacidade cognitiva para jogar RPG. Então, use o sistema mais adequado para o cenário do jogo. Se preocupar com o sistema significa que você está tendo preconceitos com relação à capacidade do novo jogador de entender o mesmo. É um péssimo sinal.

Se o cenário permite que se inicie com uma pessoa comum que de repente adquire poderes ou muda de certa forma (o mercado está cheinho de cenários assim, eu me recuso a listá-los) faça isso acontecer durante o jogo. É uma ótima maneira de não deixar o jogador desconfortável por não saber usar a sua ficha, uma vez que o personagem também não sabe do que é capaz.

Hora de jogar… Agora é o momento mais crítico. Em primeiro lugar, tranquilize o jogador novato com relação às regras. Oriente e guie ele toda vez que ele ficar confuso. Tenha a ficha dele em mente. Você não precisa dizer a um jogador experiente que ele tem em ficha determinada habilidade que poderia ser usado naquela ocasião. Mas para o novato, é legal dizer isso. O que eu estou dizendo é que durante as primeiras sessões de jogo, você deverá dar mais atenção a essa pessoa, até que ela se familiarize com sua ficha e com as regras. Não faça cobranças, apenas diga "role os dados e eu narrarei o resultado". Isso ajuda a tranquilizar a pessoa que deve estar cheia de receios com relação ao jogo novo, à aceitação do grupo à sua presença, e com medo de fazer besteira. Aos poucos, vá explicando regras. Sem pressa, no ritmo do novo jogador.

O jogador novato deve ao mesmo tempo se sentir especial e comum. A frase parece paradoxal, mas o que eu quero dizer é que ele deve se sentir bem vindo. Ele deve se sentir parte do grupo, deve experimentar aceitação por parte do mestre e dos jogadores. Todos devem trabalhar para que ele sinta que sua presença é desejada. Não só o mestre, mas os demais jogadores podem e devem ajudá-lo no começo. Todos devem trabalhar para inserir o personagem dele na trama. Todos devem fazer parte, uma vez que só assim o jogador novato vai realmente sentir que a ideia de jogo colaborativo é verdadeira, e que o RPG é mais do que um grupo de pessoas jogando juntas. Trata-se na verdade de amigos se divertindo juntos.

 

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